O Coletivo Cultural Vianinha, coletivo de cultura do Partido Comunista Brasileiro - e, como tal, alinhado aos princípios do marxismo-leninismo -, entende a cultura em sentido amplo, como as diversas formas que os povos encontraram para manifestar e materializar seus desejos, interesses e necessidades ao longo de suas histórias, para organizar a vida social, se apropriar dos recursos naturais e transformá-los, conceber a realidade e expressá-la. Assim, não cabe pensar em uma cultura, mas em múltiplas expressões desses modos de se apropriar, perceber e vivenciar a realidade.

Sendo o capitalismo um desses modos de existência (embora tantas vezes coloque-se, equivocadamente, como única forma de existência possível), produziu ele suas próprias formas culturais, que o justificam e sustentam. E, sendo este modo de organização social pautado por uma forte divisão do trabalho, a cultura por ele engendrada reforça, pelos valores que fomenta - o consumismo, um individualismo extremado, as "ideologias” da meritocracia e prosperidade, entre outros -, a adesão às estruturas de poder que privilegiam uns poucos (a burguesia) e excluem a maioria (os trabalhadores).

Nesse processo de hegemonização, a burguesia faz uso de todos os instrumentos à sua disposição para hostilizar e banir toda e qualquer forma de expressão que ofereça alternativas aos valores da cultura capitalista, além de apropriar-se desses outros modos de ser e expressar o mundo, deturpando-os para servir às suas finalidades, em especial a alienação da classe trabalhadora acerca das condições de sua exploração.

 

No Brasil, país subdesenvolvido e de capitalismo dependente, a luta política travada em torno da cultura que pretenda sua emancipação precisa lidar com as especificidades da realidade cultural comuns aos países colonizados: a necessidade de defender a cultura nacional, constantemente ameaçada pela hegemonia da indústria cultural e pelo colonialismo cultural. Assim, alinhado com a realidade brasileira, o Coletivo buscará elaborar ações voltadas à preservação e à elaboração a partir dos valores culturais dos povos que nos constituem, combatendo os modelos e padrões impostos pelo imperialismo.

Além disso, tendo em vista essa concepção de cultura e sua condição específica, ambígua,  elemento estrutural e estruturante da sociedade - concepção esta que engloba, mas não se restringe às linguagens artísticas - e a orientação política do PCB, cujo objetivo final é a emancipação da classe trabalhadora de todas as formas de opressão e alienação, o Coletivo Vianinha batalhará por políticas culturais que vão além da simples oferta de espetáculos e atrações para a população, comum nas políticas públicas culturais neoliberais e em seus programas de "lazer cultural", e que avancem no sentido de uma real democratização dos meios de produção, distribuição e fruição cultural.

 

Há que se considerar ainda a dimensão material da arte e da cultura, encarando as atividades relacionadas como trabalho, fonte de renda e vetor econômico. É fato conhecido que as atividades artísticas e intelectuais empregam quantidade expressiva de trabalhadores, geram renda e contribuem com percentuais cada vez maiores para o PIB dos países. A maioria absoluta dos trabalhadores brasieleiros deste setor, no entanto, vive em condições de extrema precarização, na informalidade, distantes até mesmo dos poucos direitos trabalhistas concedidos a outras categorias.

 

Pensar o artista, o técnico ou intelectual como trabalhador não é reduzir-lhe a importância, como defendem muitos. Implica, isso sim, pensar formas de garantir a continuidade de suas atividades por meio de condições adequadas de trabalho, o que inclui direitos trabalhistas, previdenciários, estabilidade financeira, espaços e material para pesquisa e estudo etc.

 

A luta por uma política cultural hegemônica da classe trabalhadora passa, portanto, pela busca da garantia das condições materiais de produção artística e intelectual, como condição básica para democratizar, de fato, o acesso da classe trabalhadora aos meios de produção, permitindo-lhe sair da condição de consumidora passiva de produtos artísticos e intelectuais de outrem para participar ativamente da produção cultural do país.

 

Nesse sentido, a luta faz-se necessária também para construir políticas voltadas à formação cultural e artística da classe trabalhadora, visando garantir a efetiva participação desta na vida artística e intelectual apontada anteriormente, para além da emancipação do ser humano, fito último da filosofia que orienta nossas ações. A consciência da importância de preservar o patrimônio material e imaterial dos povos que nos constituem; a apropriação do patrimônio cultural que nos precedeu para criação de algo novo; a fruição crítica da produção artística e cultural do país passam, necessariamente, por essa formação, que se deve dar nos próprios equipamentos e plataformas culturais, mas não escapa à influência da cultura em outras esferas, como a da educação.

 

Tendo em vista o cenário que se nos apresenta, é objetivo central do Coletivo Cultural Vianinha colaborar para a construção de uma cultura nacional e popular, capaz de desafiar a hegemonia capitalista. Nacional, não por negar as influências externas, mas por incorporá-las e transforma-las dialeticamente em relação à realidade material do país. Popular porque feita pela e para a classe trabalhadora, que, tomando para si os meios de produção cultural, passará ao papel de protagonista, deixando a posição de mera “consumidora” dos produtos culturais.

 

Este conjunto opera, portanto, questionando a hegemonia capitalista, apresentando outras possibilidades para além da mercantilização da cultura e de seu uso para a dominação cultural (e social) da burguesia, em rumo a uma sociedade livre e solidária para os trabalhadores da cultura e todos os trabalhadores do Brasil e do mundo.

Logo_Vianinha_AP_Cores_fundo branco_Inte