Ana Montenegro

13/04/1915 - 30/03/2006

Quem foi Ana Montenegro?

No dia 13 de abril de 1915 nascia Ana Lima Carmo em Quixeramobim, cidade cearense. Conhecida como Ana Montenegro, assumiu esse nome em razão de sua participação na imprensa comunista. Em 02 de julho de 1945, Carlos Marighella assina a ficha de filiação de Ana ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual nunca mais se afastou.

Em vídeo, Ana Montenegro se define como “advogada, escritora, poeta, funcionária pública”. Formada em Direito e em Letras, no período que data de 1945 a 1964, teve intensa atuação na imprensa comunista e feminina, publicando centenas de artigos em jornais como O Momento, Classe Operária, Tribuna Popular, Correio da Manhã, Imprensa Popular, Novos Rumos, entre outros. Em 1947, participa da fundação do jornal Momento Feminino, importante periódico dedicado à condição das mulheres na sociedade de classes e suas lutas. Contribuiu também para a revista Seiva.

Toda a vida de Ana Montenegro, marcada por sua intensa militância política, repercute a questão das mulheres como tema central. Participou de importantes entidades ligadas ao PCB como a União Democrática de Mulheres da Bahia, Comitê Feminino Pró Democracia, Liga Feminina da Guanabara e a Federação Brasileira de Mulheres.

Desde 1947, teve sua atuação política vigiada pelo governo brasileiro, quando foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista em Salvador e, desde os anos 1950, Ana Montenegro esteve listada como comunista brasileira referenciada e sob vigilância internacional.

Em 1964, com o golpe empresarial-militar, viu-se obrigada a tomar o caminho do exílio e foi a primeira mulher exilada pela ditadura. Sua primeira estadia foi na Embaixada do México, de onde migrou para este país. O itinerário passou por Cuba e depois Europa, firmando-se em Berlim, na Alemanha Oriental. Enquanto esteve lá, participou da organização de lutas feministas e em debates na imprensa. Integrou a comissão da América Latina da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), onde foi também redatora da revista “Mulheres do Mundo Inteiro”.

Trabalhou em organismos internacionais como a ONU e a UNESCO, atuando na luta das mulheres, das trabalhadoras e trabalhadores e pelos direitos humanos, sempre ao lado do Partido Comunista Brasileiro.

Em 1979, com a anistia, Ana retorna ao Brasil, ainda sob forte vigilância. Entre 1979 e 1985, intensificou sua militância pela redemocratização do Brasil, na luta feminista, nas lutas populares e no debate interno do PCB que, à época, passou por um processo de ruptura. De 1985 a 1989, participou do Fórum de Mulheres de Salvador, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e foi assessora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Bahia, atuando na defesa dos direitos humanos. Durante este período, teve sua luta intensificada no debate de gênero e no combate ao racismo, tendo produzido diversos escritos que tematizavam, com maior ênfase, a luta feminista.

Além de sua atuação como jornalista, advogada, historiadora, feminista e comunista, Ana Montenegro também tem sua importância como poeta. Seus primeiros textos publicados no jornal “O Momento” e na revista “Momento Feminino” foram poesias que denunciavam a fome e o sofrimento de mulheres e crianças, as injustiças do mundo, a violência; admirava a luta do campo e da cidade, apontava o caminho da mudança, a luta de trabalhadoras e trabalhadores unidos e clamava por paz, justiça e liberdade.

 

Toda a sua vida, desde 1947, é marcada por perseguições políticas. Todavia, nada foi capaz de lhe tirar a dedicação com a qual se guiou durante toda a trajetória. Incansável na defesa do socialismo e da revolução brasileira, tem sua vida marcada na luta “pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo” (Olga Benário). Ana Montenegro foi, sem dúvida, uma figura importantíssima na história e no processo de reconstrução do PCB.

Não à toa, em 2006, foi homenageada pelo então incipiente Coletivo Feminista do PCB, que a princípio foi nomeado Coletivo de Mulheres Ana Montenegro e, posteriormente, foi reconhecido como Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro. Atualmente, o Coletivo está presente em diversas cidades e estados brasileiros, inspirados pela firme doçura de Ana Montenegro.

Em 2005, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

Morreu aos 91 anos, em Salvador no dia 30 de março de 2006, incansável na luta por pão, terra, trabalho e liberdade.

Já em 2011, foi reconhecida e premiada pela Ordem do Mérito Cultural (OMC) na área da Poesia, reconhecendo sua relevante contribuição para a cultura. No mesmo ano, recebeu a Medalha Chico Mendes de Resistência, entregue pelo grupo de Direitos Humanos Tortura Nunca Mais.

Foi autora de diversos artigos e obras como “Ser ou não ser feminista” de 1981, “Mulheres – participação nas lutas populares” de 1985, “Crônicas e Poemas” de 1985, “Falando de Mulheres (em co-autoria com Jardilina Passos) em 2002 e “Tempo de Exílio”, sua autobiografia de 1988, entre outros.

É sempre tempo de dizer: camarada Ana Montenegro, presente!

 

Fontes:

Lédo Flôres, Fernanda. Na mira da repressão: militância política e escrita jornalística em Ana Montenegro (1947-1983). Dissertação - Mestrado em História (UFBA). Salvador, 2017.

https://pcb.org.br/portal2/7715/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Montenegro